OUÇA – MDNA no Olympia

por Pedro Zanotto (@pedrozanot)

Conforme o prometido no post anterior, vou comentar o showzinho quase privê que Madonna fez na mais antiga sala de espetáculos de Paris, o teatro Olympia, no último dia 26. Aqui o show completo (assista antes que tirem do ar!):

Turn Up The Radio, do último álbum, MDNA, abre o show. A música, que tem aquele clipe meio sem sal, veio com uma abertura como a de “Music Inferno”, da Confessions Tour, de 2006. Rádios fora de sintonia, umas músicas antigas e um vídeo remix de tudo isso.

Depois, Open Your Heart, do álbum True Blue de 1986, chega com o trio basco Kalakan e termina com a música Sagara Jo: ÉTNIKA! Madonna faz um discurso sobre tolerância – “a próxima vez que você apontar o dedo a alguém para culpar por seus problemas, vire o dedo e aponte para si mesmo, conserte-se!” – e sobre as polêmicas envolvendo o fóssil Marine Le Pen (o pai dela era da linha que negava os acontecimentos do Holocausto e ela não parece ser muito tolerante com imigrantes muçulmanos na França). Nos concertos mais longos da turnê, durante o interlúdio (música que separa atos do show) Nobody Knows Me (versão remix da música do álbum American Life, de 2003), Marine é mostrada com uma suástica na testa:

Aí vem Masterpiece, do último álbum, nos mostrar que NOTHING IS INDESTRUCTIBLE! Durante a troca de roupas, vem o interlúdio Justify My Love, lançado na coletânea The Immacullate Collection de 1990, num remix feito com o mesmo ensaio para o comercial do perfume Truth Or Dare, e tão sexy quanto o clipe original, de 1990.


E então, Vogue, do álbum I’m Breathless de 1990. A versão é a mesma apresentada no intervalo do Super Bowl (aquela que ela começa meio Cleópatra meets Givenchy), mas com alguns modelos-dândi na passarela (como em Justify My Love da turnê Girlie Show de 1993). Tem até um com o vestido “X”, trabalho recente de Jean-Paul Gaultier. Foi ele também quem desenhou o corselete cônico – tanto esse de 2012 quanto os dos anos 80 e 90.

Vogue é sempre um êxtase, mas como “a primeira, a gente nunca esquece”, deixo aqui a primeira apresentação ao vivo, de 1990, na Blond Ambition Tour:

Madonna tira o corselete de seios cônicos e, na batida de Beat Goes On (do Hard Candy, de 2008), uma versão sexy de Candy Shop (do mesmo álbum) com versos de Erotica (do Erotica, de 1992). O palco vira um danceteria rosa e preta, onde Madonna é o garanhão.
Espelhos surgem e começa Human Nature, música que veio no álbum Bedtime Stories, de 1994, para dizer que o anterior, o polêmico Erotica, não tinha nada de errado e Madonna não estava arrependida: “Eu disse algo errado? OOOPS, eu não sabia que não podia falar de sexo” / “Eu não me desculpo, não sou sua puta, não ‘solte os cachorros’ em mim”. O clipe, de 1995, é preto e branco e cheio de ironias, porque “pra bom entendedor, meia palavra basta”.

Versos de “Die Another Day” (do American Life, de 2003) introduzem o mashup inédito dessa música com Beautiful Killer, do último álbum. Mais uma performance com armas – isso já deu confusão em 2001, quando depois do 11 de setembro, Madonna substituiu um tiro por um abraço na Drowned World Tour – e com um incrível backdrop (vídeo no telão) exibindo cenas de “007”, filme a que a música de 2003 serviu de trilha sonora. Pra mim, a música mais dançante do show. A melhor versão que eu achei – fora a ao vivo – foi essa, do Youtube:

Aí vem o momento AMORE: Je T’Aime… Moi Non Plus – Eu te amo… Eu não! Pro leitor que sofre por amor, um consolo: Madonna ama, algema, amarra e mata seu homem no palco. Extremamente teatral, encerrou brilhantemente o show. A música original, de Serge Gainsbourg e Jane Birkin (A DA BOLSA? KKKK) tem um mistério em volta dos gemidos que a sonorizam. DIZEM POR AÍ que eles seriam de Brigitte Bardot em um contexto real de prazer sexual (se é que usted me entende!) >>>>>> BABADO ET CONFUSIÓN. Eu também não poderia deixar de mencionar a versão do – também exclusivíssimo – show Money Can’t Buy de 2003, da Kylie Minogue. O nome, não em vão, refere-se ao fato de que os convites para o concerto não podiam ser comprados, eram dados aos fãs mais fervorosos. E ADIVINHA QUEM ERA A INSPIRAÇÃO DO PRIMEIRO BLOCO DO SHOW? >>>>>>>>>>>>BRIGITTE BARDOT. Ouve aí:

E é nesse clima de amor e leveza que eu montei uma mixtape hospedada no finíssimo 4Shared só pra quem tá apaixonê!

♡ ♡ ♡ ♡ ♡ ♡ ♡ ♡ ♡ ♡ OUÇA AQUI ♡ ♡ ♡ ♡ ♡ ♡ ♡ ♡ ♡ ♡

As fotos são de uma casa de espetáculos desenhada pelo Niemeyer, lá da minha cidade natal (Vacaria – Rio Grande do Sul), a Casa do Povo.

Transcrição do Poema LXIV, da poetisa cubana Dulce María Loynaz, recitado por Omara Portuondo:
“De amar mucho tienes la palabra que persuade, la mirada que vence y que turba
De amar mucho dejas amor en torno tuyo, el que pasa cerca y se huele el perfume en el pecho, viene a creer que tiene la rosa dentro.”

Quinta-feira tem uma seleção pra tocar no esquenta pré-jogação do leitor baladeiro, com participação especial de Nina & Carminha, não perca! ¡Besitos!

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